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Cork e o Ciência sem Fronteiras

Olá povo! Estamos sumidos, mas não esquecemos de vocês. Estamos passando com uns momentos conturbados, mais de correria e aos poucos colocando as coisas em dia e logo mais voltamos de vez. Queria apresentar uma novidade: TEMOS UMA COLABORADORA PARA O BLOG e hoje já vamos mostrar um pouquinho da história dela por aqui. 

Olá, gente! Meu nome é Ana Esther e estou feliz em anunciar que farei parte do blog “Próxima Curva” a partir de agora. Vou adorar compartilhar minhas experiências na ilha esmeralda e nessa linda cidade que é Cork!

Hoje, sendo minha primeira postagem, vou explicar como vim parar aqui: o programa Ciência Sem Fronteiras. Como funciona?

Primeiro, é bom esclarecer que o governo congelou o programa recentemente, e não há previsão de lançamento de um próximo edital nesse momento. Ainda assim, eu acho interessante explicar brevemente o funcionamento desse programa, que é cercado de preconceitos, já que muitos só o conhecem de “ouvir falar”. Então, comecemos!

O programa Ciência sem Fronteiras foi criado em 2010 com a pretensão de levar 101 mil estudantes de graduação brasileiros para intercâmbio no exterior. Para isso, foram feitas várias alianças com diversas universidades ao redor do mundo e o custo do programa foi dividido com a iniciativa privada. A cada ano, um ou dois editais eram lançados e, embora o início tenha sido devagar e tímido, o programa ganhou corpo e o interesse por ele cresceu exponencialmente ao longo dos anos, de forma que a meta foi atingida após o lançamento do ultimo edital, em 2014.

Mas como uma pessoa é selecionada? Para poder entrar no processo seletivo, antes de qualquer outra coisa, a pessoa deve estudar em um dos campos contemplados. O programa abrange a área de exatas e biológicas, uma vez que o principal objetivo é atrair para o Brasil tecnologia para desenvolvimento científico nessas áreas. Sim, é uma questão polêmica na qual não entrarei aqui (seria uma postagem inteira! Haha). Verificada a área de estudo, a pessoa deve verificar se conseguiu mais de 600 na prova do ENEM e se já terá cursado mais de 20% e menos de 90% do curso quando for viajar, uma vez que esses são os pré-requisitos. Agora, ela deve passar por um processo interno da sua universidade (que pode ser tanto privada quanto pública), que irá determinar através de seus prórpios critérios (que mudam de universidade pra universidade) se você está apto a concorrer à vaga de intercâmbio. Em alguns lugares, é bem fácil passar por esse processo, em outros as exigências são muitas, como ter uma média alta, nunca ter repetido uma matéria, entre outras. Uma vez aprovada pela universidade, ela pode se cadastrar no edital para o processo seletivo.

Um detalhe muito importante é, claro, a fluência na língua do país de destino. O país é escolhido no momento em que você se cadastra e, obviamente, você precisa comprovar que sabe falar a língua que é falada naquele país. Para isso, é preciso fazer uma prova de proficiência, e a nota mínima consta em cada edital. Caso você não tenha a nota mínima para ir direto aos estudos, alguns editais fornecem uma faixa de notas em que a pessoa pode fazer um breve curso do idioma no país de destino e, lá, fazer outra prova de proficiência, onde ela deve tirar a nota mínima exigida antes de começar a estudar na universidade estrangeira. Não é preciso ter a nota de proficiência antes da abertura do edital. Eles dão um prazo para que você faça a prova e obtenha o resultado depois de se cadastrar para o processo seletivo.

Beleza, você está apto a concorrer a uma vaga para estudar por um ano no exterior totalmente patrocinado. Qual o próximo passo?

Depois de submeter todos os documentos necessários, a única barreira entre uma pessoa e o intercâmbio é a quantidade de vagas. Duas agências de fomento, a CAPES e o CNPQ (talvez você já tenha recebido alguma bolsa deles aí no Brasil) são responsáveis pelo processo e a forma de distribuição das vagas é diferente para cada uma. Então, isso depende do país para o qual a pessoa se cadastrou, e de qual agência é responsável por ele. No meu caso, a responsável pela Irlanda é a CAPES, e havia uma quantidade de vagas específicas para cada país. Entretanto, se sobrassem vagas em algum país, elas poderiam ser realocadas para outro onde houvesse mais demanda.

O principal critério de seleção, depois que a pessoa cumpre todos os pré-requisitos, é a nota do ENEM. Logo, quanto maior sua nota, maiores suas chances de conseguir a vaga. Em casos de empate, outros critérios como nota na redação do ENEM, participação em projetos de pesquisa (como Iniciação Científica) e a conquista de prêmios são verificados.

Depois de alguns meses de agonia, já que há um tempo para a submissão dos documentos e para as pessoas fazerem as provas que proficiência, o resultado da seleção sai! Uhul, vou pra Irlanda!! E chega, na minha opinião, o passo mais difícil: selecionar aonde ir.

Em alguns países essa seleção é meio aleatória, suas preferências não tem tanto peso. Na Irlanda, porém, isso não acontece, e você precisa escolher 3 universidades da sua preferência, para as quais você irá mandar seus documentos (em inglês) e elas decidirão se te aceitarão. Ai, que responsabilidade definir onde você vai viver um ano no exterior! O que pesa para essa decisão vai variar de pessoa pra pessoa. Pessoalmente, eu não queria morar em Dublin por saber que lá haviam muitos brasileiros e chegava a ser difícil socializar com estrangeiros e praticar o inglês. Também queria fugir da cidade grande hehe (moro em Belo Horizonte e os paulistas podem rir, mas BH é cidade grande sim! Kkk) Outros fatores de peso foram a qualidade das universidades, qual lugar poderia me oferecer mais facilidade para conseguir um bom estágio e onde eu poderia ter uma boa experiência cultural. Fui aprovada por todas as universidades que escolhi, o que significou que eu teria que decidir, de uma vez por todas, onde eu iria passar meu ano.

Ainda não comentei que passei por todo esse processo com meu namorado. Queríamos vir juntos, passar por tudo isso juntos. Cada passo, cada resultado e cada decisão foi tomada em dupla. Decidimos por Cork e pelo CIT, Cork Institute of Technology. Talvez eu faça uma postagem separada sobre as duas principais instituições de ensino superior da Irlanda.

Bom, depois disso é só lidar com a burocracia de trancar a universidade, assinar contratos, etc e receber o dinheirinho pra vir! Quem vai pelo programa recebe uma bolsa mensal. Além disso, no início o programa te dá uma quantidade fixa de dinheiro pra você comprar a passagem, também te dá dinheiro pra comprar um notebook ou tablet pras atividades academicas e uma quantia a mais chamada “auxílio instalação”, pra cobrir todos os gastos extras de quando você chega, inclusive a facada do GNIB. O problema é que esse dinheiro entra bem em cima da hora, então se for possível comprar passagem e o que mais for necessário antes de ele cair, é melhor.

Isso não vale pra todos os países, mas na Irlanda a universidade cuida do seu seguro saúde e da sua acomodação. Claro, como a pessoa não arca com esses gastos, a bolsa é menor do que a bolsa dos países onde isso não está incluido. Outro ponto interessante é que quem vem pelo programa não precisa comprovar os 3000 euros na conta pra entrar, o governo dá uma carta explicando que a pessoa vai receber dinheiro ao longo do ano e isso é o suficiente, mesmo que o policial da imigração seja muito chato!

Bom, embora o post esteja gigante, acreditem, eu resumi o processo haha Tem muita coisa entre cada passo, mas no grosso é assim que funciona. Eu e meu namorado estávamos no grupo que veio para o curso de inglês, então chegamos em julho e pudemos aproveitar o fim do verão, assim como nos acostumar ao clima, às pessoas e ao sotaque bem antes de as aulas começarem, o que achei ótimo! Ah, até agora o governo não falhou em nos passar nossa bolsa sem atraso, apesar dos rumores por aí. As aulas começaram e estamos ralando muito! Muitos trabalhos e muita matéria pra estudar, nada de turismo sem fronteiras durante as aulas!

Estou adorando minha vida na Irlanda e nem eu nem meu namorado poderíamos ter uma experiência assim se não fosse essa iniciativa do governo. O programa precisa de muitos ajustes, mas é uma ideia genial e muito promissora, que merece seu crédito. É uma pena que estudantes irresponsáveis não levem a oportunidade tão a sério, mas isso está mudando. Não acho que o programa acabou, acho que o governo entendeu que é preciso uma reestruturação e, sem ela, não dá pra continuar com um programa tão caro. Então, fiquem de oho!

É isso, queria dizer que adorei escrever para vocês! Mal posso esperar pra contar minhas experiências! Obrigada, Nadine, por me oferecer essa oportunidade!

Ana Esther