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Viver Fora do Brasil

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5 dicas para fazer um intercâmbio de sucesso

Para se ter um intercâmbio de sucesso é preciso de muito mais do que vontade.

Um intercâmbio pode ser a experiência da sua vida e, certamente você quer que tudo corra na mais perfeita ordem. A ansiedade, o medo, a angústia são sentimentos normais de qualquer futuro intercambista e se atentando à essas dicas eu tenho certeza de que você conseguirá realizar um intercâmbio de sucesso!

Quanto antes, melhor

Planejar um intercâmbio com antecedência é um dos segredos de se conseguir um intercâmbio de sucesso. O planejamento, seja ele de estudos ou financeiro, é extremamente importante para garantir que tudo ocorra dentro dos conformes. Como um intercâmbio não acontece do dia para noite, planejar tudo com antecedência te dá margem para fazer muitas pesquisas, comparações de preço, custo benefício e formas de pagamento diferenciadas. Então, comece o seu planejamento o quanto antes!

Pesquise muito bem o seu destino

Uma das maiores frustrações durante o intercâmbio pode ser o destino escolhido. Sim, e isso é muito real! Você deve fazer pesquisas aprofundadas e detalhadas sobre cada provável destino e escolher aquele com o qual você mais se identifica, nem que para isso você tenha que esperar mais um tempo para finalmente embarcar. Um destino errado pode arruinar a sua experiência fora do Brasil!

Faça amigos gringos, mas não esqueça dos brasileiros

Equilíbrio, minha gente, equilíbrio! Normalmente, o objetivo do intercâmbio é aprender a língua do destino escolhido não é verdade? E como você aprende? Em contato direto com o idioma! Conhecer pessoas de outros países é o melhor meio de aperfeiçoar a língua, além de te abrir portas para conhecer novas culturas e fazer novos amigos. Porém, a verdade é que não devemos NUNCA fechar as portas aos nossos conterrâneos. São eles que nos ajudam quando precisamos e, por termos afinidades devido à cultura, nos entrosamos muito melhor e, querendo ou não, nos tornamos família fora do Brasil. Saiba equilibrar suas amizades e contatos e você irá encontrar a fórmula ideal de aprender, aumentar seu círculo de amigos e ainda manter as raízes.

Nem todo programa de intercâmbio é igual

Outro fator importante para se fazer um intercâmbio de sucesso é justamente saber qual tipo de intercâmbio escolher. Se você não gosta de crianças, o programa de Au Pair não seria o ideal, não é mesmo? Conhecer cada tipo de intercâmbio e o que eles oferecem é crucial para fazer a escolha certa e ter momentos inesquecíveis.

Mantenha a mente aberta

O choque cultural é gigante quando decidimos passar um tempo fora do Brasil. Com cultura e costumes diferentes dos nossos, nos sentir acuados em terras estrangeiras é normal. A melhor forma de enfrentar é mantendo a mente aberta, sem julgar a cultura local e tentar ao máximo imergir no dia a dia, conhecendo a rotina e a forma como vivem as pessoas do seu destino escolhido.

Agora é só arrumar as malas e #PartiuIntercâmbio!

Como tirar o STAMP 4 sem contrato de trabalho?

Mas como assim sem trabalho? É possível tirar o STAMP 4 sem contrato de trabalho, Nadine?

É sim possível tirar o STAMP 4 sem contrato de trabalho e aqui nesse post você vai conhecer os detalhes de como fazer isso. Já falamos bastante sobre o STAMP 4 nos vídeos aqui no blog e canal e algumas informações serão redundantes, porém, agora de forma escrita, muito mais visual para vocês.

Para quem está perdido ainda  e não sabe do que eu estou falando, o STAMP 4 é o tipo de visto que o familiar de cidadão europeu recebe para poder residir na Irlanda. Não é tão simples quanto parece nem tampouco rápido. É um processo burocrático, por muitas vezes demorado e que exige um certo esforço dos aplicantes.

Falando um pouquinho sobre o processo do STAMP 4

Para aplicar para este tipo de visto, o aplicante precisa estar casado com um cidadão europeu. A aplicação tem de ocorrer em terras irlandesas devido a necessidade de levantamento de toda uma documentação que você só consegue lá, para citar um exemplo, contrato de aluguel.

O envio dos documentos para imigração deve ser feito através de carta registrada e, ao que tudo indica, agora os aplicantes estão recebendo uma confirmação de recebimento. Uhul! Antes tarde do que nunca, haja visto que nos primórdios isso não acontecia. A imigração envia a aprovação do visto temporário depois de 8 a 12 semanas, em média. Você irá receber uma carta informando que seu visto temporário foi liberado e algumas vezes ainda solicitando algum documento adicional. Com a carta em mãos, você irá fazer o agendamento online para registrar-se na GARDA – lembrando que o registro online é feito em cidades onde essa tecnologia está disponível. No dia de comparecer à imigração, não se esqueça de levar a carta que você recebeu, passaporte dos dois, comprovante de residência e o cidadão europeu. 

O visto temporário tem duração de 6 meses inicialmente, mas a imigração tem aumentando esse prazo de validade nos últimos tempos devido a alta demanda por esse visto, o que tem gerado atrasos no processamento. Feito o registo, simplesmente aguardar o seu GNIB chegar (em Cork estava demorando 2 semanas) e pronto, você já pode viver tranquilamente – por tempo determinado – em terras verdes.

Tá, e como faço para conseguir meu STAMP 4 sem contrato de trabalho?

O primeiro passo é baixar o EU1 form e seguir o post já em posse do formulário para um melhor entendimento Já baixe, também o manual de preenchimento. O post é mais um complemento desse manual (lá vocês encontrarão o passo a passo do preenchimento então é bom perder um tempinho dando uma olhada nele, ok?)

Formulário em mãos, vamos direto para Section 3 – Current Activity of the EU citizen in the State – não vou passar sessão por sessão do formulário, se acharem realmente necessário deixem nos comentários que eu prometo que faço um manual aqui para vocês, mas o vídeo que fizemos sobre o assunto já sana muitas das possíveis dúvidas de vocês. Como tirar o STAMP 4 sem contrato de trabalho?

Na subsection 3.1 você deve selecionar uma das atividades listadas exercidas pelo cidadão europeu. No nosso caso, como estamos falando do cidadão sem contrato de trabalho, nos sobram as opções C) Study e E) Residing with sufficient resources. Essas são as duas opções que vocês irão focar, escolhendo apenas uma dependendo de qual for seu caso. Detalhe: quem vai decidir qual é a melhor opção é você mesmo, ok?

  • Opção C) Study
    Você irá selecionar essa opção se o cidadão europeu está cursando faculdade ou fazendo algum curso de inglês com pelo menos 6 meses de duração, além de ter uma quantia razoável para manter os dois no país.
  • Opção E) Residing with sufficient resources
    Nessa opção o cidadão europeu não se encaixa em nenhuma das anteriores e possui uma quantia razoável para manter os dois no país.

Na subsection a seguir, de acordo com a opção que selecionaram, vocês irão preencher os respectivos campos:

  • Se for Study, informar o nome da Escola ou Universidade, endereço, telefone e se possuem seguro saúde
    Como tirar o STAMP 4 sem contrato de trabalho?
  • Se for Sufficient Resources, vocês devem informar quais são seus fundos, valores e como vocês estão se mantendo na Irlanda, além de também informar se possuem seguro saúde.
    Como tirar o STAMP 4 sem contrato de trabalho?

Na Section 4 – Document Checklist é onde vocês vão encontrar a listagem de todos os documentos que precisarão providenciar antes de enviar para imigração. As duas primeiras partes são óbvias e não necessitam de explicação – comprovação de identidade e estado civil. Lembrando que a certidão de casamento deve ser traduzida juramentada. E ah, pode ser a brasileira ou a do país do qual o cidadão possui nacionalidade, de qualquer forma, tem de ser apresentada em inglês.

A comprovação de moradia é necessária para qualquer caso de aplicação e é comum em todas as opções, mas vou passar com mais atenção nessa parte porque ainda tem muita gente com dúvidas nesses quesitos.

Como tirar o STAMP 4 sem contrato de trabalho?

  • Se você aluga um imóvel, terá que apresentar:
    • Carta da imobiliária/landlord OU contrato de aluguel – no caso de aluguel do quarto, se seu nome não estiver no contrato, peça para o landlord ou pessoa responsável pelo contrato escrever uma carta comprovando que vocês moram no local
    • Carta do PRTBsolicite ao landlord assim que alugar a casa e no nome dos dois. Esse processo quem faz é o Landlord e você receberá a carta em sua casa, em caso de aluguel do quarto, solicite ao responsável pelo contrato
    • Contas no nome dos dois – pode ser conta de luz, água, telefone, internet, celular desde que tenha o nome dos dois (não necessariamente na mesma conta, pode ter o nome de um em uma e do outro em outra)
  • Se você é dono da propriedade:
    • Carta do financiamento OU da autoridade local OU do Conselho do Municipio
    • Escritura
    • Contas no nome dos dois – pode ser conta de luz, água, telefone, internet, celular desde que tenha o nome dos dois (não necessariamente na mesma conta, pode ter o nome de um em uma e do outro em outra)

Tranquilo até aqui? Fôlego que ainda tem mais…

Agora vamos falar sobre a documentação necessária para comprovação da atividade do cidadão europeu na Irlanda. Lembrando que estamos falando do caso do STAMP 4 sem contrato de trabalho, ok?Como tirar o STAMP 4 sem contrato de trabalho?

  • Se o cidadão europeu está estudando:
    • Carta da escola/faculdade comprovando a matrícula e informando as datas de inicio de término do curso;
    • Carta do seguro saúde privado irlandês comprovando a cobertura para os dois
      * Seguro viagem não é o mesmo que seguro saúde. Esse seguro saúde seria um “convênio” irlandês, que cobre consultas e alguns procedimentos. No caso, é necessário um seguro saúde para os dois (tanto EU quanto non-EU). Entre as opções, você pode analisar e cotar o Aviva, Laya Healthcare e o VHI.
    • Extratos bancários E/OU outra comprovação de renda que mostre que o cidadão europeu tem condições de manter os dois na Irlanda sem se tornar um peso para o estado.

Como tirar o STAMP 4 sem contrato de trabalho?

  • Se o cidadão europeu tem fundos suficientes para se manter:
    • Evidência dos fundos através de carta explicativa e extratos bancários
      * Sobre o valor, a imigração nunca abriu qual seria o valor ideal para aplicar por essa opção. Através de análises e estudos, concluímos que algo em torno de 10k a 15 euros, porém já aconteceu de aprovarem com 6k. Então, é loteria!
      ** Sobre a renda, mesmo após o envio da documentação, é bom vocês manterem um bom valor em conta pois pode acontecer de ter que comprovar essa renda novamente durante o processo
    • Carta do departamento do Seguro Social atestando que não existe nenhum pedido de ajuda financeira em nome do cidadão europeu
      * Essa carta só é gerada se o cidadão europeu tem PPS. Se não tiver não adianta nem pedir porque eles não fazem. O que deveria ser algo lógico – não tem PPS logo não tem ajuda social – é bem mais complicado. Se vocês forem aplicar por essa opção, o conselho é que o cidadão europeu já tenha PPS.
    • Carta do seguro saúde privado irlandês comprovando a cobertura para os dois
      * Seguro viagem não é o mesmo que seguro saúde. Esse seguro saúde seria um “convênio” irlandês, que cobre consultas e alguns procedimentos. No caso, é necessário um seguro saúde para os dois (tanto EU quanto non-EU). Entre as opções, você pode analisar e cotar o Aviva, Laya Healthcare e o VHI.

Com a documentação em mãos, basta enviar diretamente para o endereço informado no formulário e cruzar os dedos! Lembrando que, no caso de impossibilidade de enviar alguma documentação, é necessário escrever uma carta a mão explicando o motivo do não envio do documento.

Se houver alguma mudança – QUALQUER MUDANÇA seja de casa, de status, de marido/esposa rs INFORME PRONTAMENTE À IMIGRAÇÃO. Mandem a comprovação para o mesmo endereço informando o seu ApplicantID, nome completo e data de nascimento e eles farão a atualização do processo.

O post ficou longo mas acredito que vai ajudar a quem está começando essa jornada. Dúvidas sempre vão existir, quem conhece sabe que o processo é bem chato e interpretativo. E digo mais, se alguma coisa não ficou clara, por favor, entre em contato e a gente dá mais uma conversada sobre o assunto, ok?

Ufa… por hoje é só!

Porque saímos da Irlanda?

OLÁ PESSOAS!

Desculpem o meu sumiço mas não esqueci do blog não. Hoje trago um vídeo para vocês explicando mais detalhadamente sobre a nossa saída da Irlanda e os motivos do meu sumiço das redes sociais e blogosfera.

E, boas novas: AGORA VOLTEI PRA FICAR! Precisa de um tempo para me recompor e compor ideias e agora o caderninho está a mil!

Aperta o play e vem conhecer mais detalhes da nossa situação agora (não esqueçam de se inscrever no canal hein? Tem muitos videos planejados!).

Assistam, curtam e compartilhem!

 

A realidade de um intercâmbio em Cork

Muito se fala sobre intercâmbio em Cork: coisas boas, coisas ruins, coisas indiferentes… mas qual é a verdade sobre a cidade? Sobre fazer um intercâmbio em Cork? Sobre o aluguel? Sobre o mercado de trabalho?

Para atrair, obviamente, tudo é pintado como um mar de rosas e, todos nós sabemos, qualquer intercâmbio está sujeito a altos e baixos, alegrias e decepções, sucesso e problemas. Então, no post de hoje, vamos conversar um pouquinho sobre a realidade de se fazer um intercâmbio em Cork, passando por tópicos específicos e mais preocupantes como moradia, trabalho, escola, etc.

Moradia
Quando cheguei em Cork, em Maio de 2015, a cidade estava de fato mais tranquila, era pouco procurada ainda e a oferta de casas e apartamentos estava decente. Mas não significou facilidade para encontrar nosso lar perfeito, diga-se de passagem. O fato é que com o crescimento da cidade, em termos de empresas, muita gente acabou migrando para Cork e abocanhando as vagas que eram postadas prontamente, em questão de minutos um aluguel já era concretizado. Além de tudo, Cork se tornou uma ótima alternativa para Dublin, o que significou muitos estudantes deixando de ir para a capital e escolhendo a pequena Cork como destino de intercâmbio. O resultado disso? Uma crise tremenda de moradia, onde empresas estavam, inclusive, pedindo para seus funcuionários alugarem seus sofás para novos funcionários recém chegados. Pode isso produção? Pois é, não estou mentindo. A procura não só ocasionou uma diminuição da oferta como, também um aumento considerável nos valores de aluguéis – ainda mais barato que Dublin em questão de comparação. Outro ponto de dificuldade bem conhecido entre nós é a questão de documentação para aluguel. Assim como em Dublin, os landlords em Cork solicitam sim comprovação de renda, de landlords anteriores e acabam dificultando a vida de quem tem interesse em alugar uma casa ou apartamento por conta própria. Recorrer à imobiliárias pode ser uma opção, mas nem sempre válida. A questão é: você consegue, mas vai ter que ter paciência, saber pesquisar, negociar e se vender para conseguir o tão sonhado cantinho para chamar de seu.

Trabalho
A questão de trabalho é relativa, pois as variáveis de pessoa para pessoa são diversas. A começar pelo visto: estudante certamente vai ter mais dificuldade de achar um trabalho do que alguém que tenha Stamp4 ou passaporte europeu. Por outro lado, uma pessoa com visto ou passaporte mas sem nada de inglês certamente terá grandes dificuldades em encontrar um trabalho em um país em que o inglês é nativo. Ou seja, as combinações são inúmeras e muita coisa dependerá de você, da sua força de vontade, do seu empenho e do que você estará disposto a fazer. Cork oferece uma gama de empregos considerável – não tão grande quanto Dublin, veja bem – então com um esforço é perfeitamente possível achar um trabalho que te apeteça. A realidade do mercado de trabalho em Cork hoje é bem diferente de quando eu cheguei: certamente a concorrência aumentou e você tem sim que batalhar por um lugar ao sol, não tem jeito. A não ser que você seja uma mega blaster ultra master profissional na sua área de atuação, um visto de trabalho é um sonho distante e você terá que enfrentar perrengues nos trabalhos de cleaner, kitchen porter, pub staff, minder, panfletagem e por aí vai. Algum problema nisso? Eu não vejo nenhum. Crescimento profissional e pessoal passa por todas as áreas e certamente você aprenderá muito (mas muito mesmo) a língua nativa durante o dia a dia no trabalho, Afinal de contas, foi para isso que você se prestou a fazer intercâmbio, certo?

Escolas
O número de escolas em Cork é baixo. São apenas 6 escolas, com uma tabela de preços semelhante, ou seja, o valor é sim mais alto comparado com Dublin. A procura é grande e o número de brasileiros nas escolas também. Então, se você acha que está indo para Cork e não vai encontrar nenhum brasileiro na sala de aula, amiguinho, você está redondamente enganado. Como já falei mais para cima, a procura de estudantes brasileiros pela cidade cresceu muito e a comunidade tupiniquim está marcando presença massiva na segunda maior cidade da Irlanda. O bom é que brasileiro é sempre brasileiro e se você gosta dos conterrâneos, vai se sentir em casa. Se você não gosta, vai pra Groelândia, não sei né. Em questão de aprendizado do idioma, depende de você praticar em sala, no seu dia a dia e não pedir pro amigo falar por você no McDonalds. Se você faz isso, desculpa amigo, não tem como te defender. Quer aprender, mete o pé, quebra a cara, erra e aprende com o erro. Seja com brasileiro, espanhol. chinês, francês, force o inglês e aprenda na marra. Seu investimento foi alto para você desperdiçar então não use o fato de ter muito brasileiro na sala como uma muleta. Faça sua parte.

Custo de vida
Já tem um post que fala bem sobre o custo de vida em Cork aqui no blog, mas vale mencionar né? O seu custo de vida não é igual ao meu, assim como não é igual ao do fulano ou ciclano. Se você gosta de sair para os pubs e encher a cara, seu custo de vida certamente vai aumentar. Se você é fit e gosta de cozinhar em casa e fazer receitas mirabolantes usando produtos simples, obviamente seu custo de vida vai ser mais baixo. A verdade é que você Cork tem espaço para todos os gostos e bolsos. Se você é mais econômico, você consegue viver tranquilamente (Reduced do Tesco é vida, minha gente!). Agora, se dinheiro na sua mão vai como água, Cork também vai te fazer feliz. No geral, por conta do aluguel, o custo de vida em Cork é mais barato que Dublin. Mas as outras coisas (mercado, contas, etc) é basicamente o mesmo, com algumas alternâncias. Mas sim, Cork vai te abraçar e te receber lindamente independente do seu bolso.

Cidade
Bom, esse é um tópico mais complicado pois eu tenho a minha opinião muito bem formada. E certamente muita gente concorda e discorda, mas, vai de gosto e estilo de vida de cada um. A cidade é um amor, é pequenina, é aconchegante, é receptiva e, de primeiro momento, é seu refúgio nesse mundo tão estranho em que vivemos. Para mim, que saí da muvuca de São Paulo, Cork e seu ambiente acolhedor me fizeram sentir em casa desde o primeiro minuto. Mas a lua de mel com a cidade pequena durou pouco. Apesar da cidade oferecer uma gama de de atrativos até considerável, eles são limitados. Cinemas, um shopping, um parque grande, algumas galerias e é basicamente isso. Eu não curto Pub, de fato isso é problema meu, mas o número de pubs na cidade é grande por assim dizer. A dificuldade de lomocação – digo em questão de horarios e intervalos de onibus – restringe muito a vida de quem mora mais afastado do centro, o que era meu caso e acredito que muito da minha decepção se deva a esse fato. Acaba perdendo festivais bacanas, festas de ultima hora ou mesmo uma reunião com amigos, então é um ponto a se pensar muito bem antes de definir onde morar. Depois de um tempo, aquela cidade pequena que tanto me acolheu quando eu cheguei ia se transformando naquele cubinho minusculo enquanto minha vontade de sair crescia. De fato a minha opnião mudou muito de quando eu cheguei e quando eu fui embora e, falando por hoje, talvez não voltaria para Cork. Escolheria outra cidade, com mais opções e mais facilidades se fosse para morar de vez. Quando escolhi Cork, estava em busca exatamente do que ela me oferecia, por incrivel que pareça. Mas, por ser uma coisa nova, não sabia muito bem o que esperar e então percebi que não era aquilo que eu queria. A realidade de Cork é, sem duvida, a realidade de uma cidade pequena. Antes de você decidir ir para lá, você tem que conhecer o que a cidade vai oferecer para você e aceitar, antes de mais nada, a limitação, principalmente se você, assim como eu, sair de uma cidade grande. Sair de de São Paulo e ir para Cork é um choque grande MESMO. Mas você pode se descobrir naquele meio. Ou odiar. Tudo vai depender, novamente, do seu estilo de vida e dos seus objetivos.

 

Um intercâmbio em Cork é um crescimento.  A cidade e seus habitantes são hiper receptivos, calorosos e certamente isso faz muito a diferença. Você se sentir em casa longe de casa é, de fato, gratificante não é? Fazer um intercâmbio em Cork não significa morar definitivamente, então, se algo não te agrada, aprender a superar e fazer seu melhor é crucial pois se for pensar bem, temporário. Agora, se você decidir ficar de vez, saiba lidar com as suas divergências para/com a cidade e aprenda a pesar as coisas boas e ruins para entender o que vale a pena. Cork é linda, é cheia de história, lugares interessantes, especialmente nos arredores e com certeza você encontrará um lugarzinho favorito. Sinto muita falta de morar em Cork e, apesar do meu saldo com cidade ser mais negativo do que poisitivo, a nostalgia das coisas boas supera o que não gostei e sinto que sim, no final das contas, fiz uma boa escolha quando decidi fazer meu intercâmbio em Cork. Acredito que você também fará! 🙂

Brasil: o regresso a pátria (não tão) amada

ESSE POST CONTÉM PALAVRÕES E SE VOCÊ SE SENTE OFENDIDO, POR FAVOR, NÃO LEIA.

A grande maioria das pessoas que partem rumo ao seu intercâmbio sabem que toda esse sonho tem data certa para acabar. Seja depois de um ano – período inicial do intercâmbio em alguns casos ou 8 meses na Irlanda 🙂 – ou depois de uma ou duas renovações, muita gente vai descobrir na pele o que é voltar para o Brasil depois de um período fora.

Essa não é a primeira vez que volto do exterior – já falei aqui que fiz o programa de Au Pair americano e fiquei 2 anos fora. A primeira volta foi um tanto quanto traumática mas ainda assim, foi de “fácil” adaptação. Eu já queria voltar, todos meus amigos já tinham voltado então, aos trancos e barrancos a adaptação foi acontecendo. Apesar de ter ficado 2 anos fora, muita coisa havia mudado sim, mas muito continuou. Eu não tinha uma rotina de trabalho quando fui, então o nada que fazia antes de juntou ao depois e minha vida começou. Talvez isso tenha facilitado o retorno – uma vida nova começava.

Esse meu segundo retorno, dessa vez da Irlanda, tem sido um pouquinho mais dificil, afinal eu saí do Brasil para não voltar mais e quis o destino que eu voltasse – ainda tento entender esse destino pois não foi isso que combinamos. Saí do Brasil com uma carreira já sólida, um inglês bom e a ideia – e esperança – de conseguir me arrumar na Irlanda. E de fato não seria tão dificil, haja visto que mesmo com Stamp temporário, tive duas propostas de trabalho que acabaram não vingando justamente por conta desse bendito – vou passar longe desse assunto que cada vez que eu penso nele meu coração dispara de raiva. Pronto, passou…. continuando…

Devo confessar que cheguei feliz no Brasil e, acredite, com vontade de estar no Brasil. Olha só, quem diria hein? Depois de uma temporada frustrada na Irlanda, uma mini temporada frustrada em Portugal, tudo que eu queria era chegar “em casa”, abraçar mamãe e papai e ouvir que vai ficar tudo bem. Já vim com planos de investir numa casa, encontrar um trabalho logo – embora o pessimismo constante das pessoas em falar que a situação tava dificil e trabalho ia ser demorado demais para encontrar. Para desespero dos inimigos, com duas semanas no Brasil, olha só, eu já estava trabalhando. Aí tem sempre aquele que vem “Nossa, mas você acabou de chegar e já está trabalhando! Qual é receita? Fulano tá desemprego há 8 meses e não consegue nada…” Minha gente, eu sou boa no que eu faço e mantenho as portas abertas – não tem receita. Desculpem a modéstia, mas não tem outra explicação. Me benzo e sigo em frente, porque de olho gordo esse mundo está cheio, viu?

Enfim, nem tive muito tempo de re-adaptação e lá estava eu, de novo, navegando num mar de gente nos metrôs e trens da maior cidade do Brasil, constatando que nada mudou. Mesmo semblante de derrota na cara das pessoas, mesmas brigas diárias por lugares sentados nos transportes, mesmo empurra empura mas agora com um detalhe – NINGUÉM desgruda da po**a do celular. Eles brigam com celular na mão. Eles sobem escada rolante com celular nas mãos. Eles andam com celular na mão. E todos com olhares fixos na telinha, compartilhando a vida, compartilhando fofocas, compartilhando futilidades. E eu sempre atenta a tudo isso. Eu, pequena que sou – embora gordinha – sempre sendo esmagada pela multidão na entrada do trem, sem ter onde segurar – gente, eu não alcanço a barra de ferro quase no teto do trem.

Eu odeio o trem! Odeio mesmo! Sempre odiei e sempre preferi andar a pé do que entrar no trem. Mas, trabalho do outro lado da cidade e pegar o trem se tornou inevitável. E, num belo dia de sol… UM FILHO DE UMA PUTA CONSEGUE ME ROUBAR O CELULAR DENTRO DO TREM LOTADO! Sabe, é de ai, nem sei o que pensar. Num desses apertos da vida, eu sem onde segurar no trem tenho sempre que dar meus jeitos, não percebi o cidadão mexendo na minha bolsa e pegando o celular. Me chamem de desatenta, de ter pedido para roubarem, do que vocês quiserem e bem entenderem, mas é um segundo e distração e pronto, já era. Eu só percebi quando cheguei no trabalho e lágrimas rolaram na hora. De raiva, de desgosto, de ódio. Ódio de mim por não ter percebido, mas é muito mais fácil me culpar por ter tido um segundo de desatenção do que culpar o cidadão que sem dúvida será chamado de vítima da sociedade, com certeza ele estava precisando do dinheiro muito mais do que eu né? MEU C*!

Lembram daquela alegria de ter voltado pro Brasil? Que eu citei ali em cima? Aqueles planos de investir numa casa? Lembram? Então, se foram junto com meu celular. Se foram junto com a minha luta para adquirir um bem material que eu tinha vontade e consegui comprar. Se foram junto com  a minha esperança de um dia poder bater no peito e chamar esse país de lar.

Sempre vivi em São Paulo, sempre convivi com esse “perigo” e, infelizmente, o direito de ir e vir, o direito de poder ter o que pode ter se tornou um luxo, deixando de ser um direito há muito tempo. Você não pode comprar um carro bacana se tiver condições pois tem medo de ser assaltado. Você não pode comprar um relógio porque gosta pois tem medo do malandro que “não teve oportunidades na vida”. Você não pode viver e tem que saber sobreviver e conviver nessa guerra que nunca termina. Fora o assalto que você não vê: é feijão a 15 reais, é estacionamento de 30 min a 15 reais, é tarifa de ônibus a 3,80, impostos e mais  impostos tirando metade do seu salário. Não dá para viver num lugar desse.

Mais uma vez, me perdoem pelos palavrões mas não consigo encontrar palavras que façam o mesmo efeito – esse cantinho aqui continua sendo um cantinho pessoal, de compartilhar informações e experiências mas tem coisas que não dá para segurar e/ou esconder.

Bem vindos à nossa pátria (não tão) amada, Brasil!

 

Qual é a verdade sobre a área de TI na Irlanda?

Esse final de semana eu vi muitos posts nos grupos de Intercâmbio no Facebook sobre arrumar trabalho na área de TI na Irlanda. A opinião é geral: “vem que tá bacana, aqui tem muita vaga na área, tá todo mundo contratando, vem ser feliz!’. Mas… será que é assim mesmo?

As vezes eu me pergunto o quanto as pessoas que não trabalham na área TI efetivamente conhecem a área. Se você fala que trabalha com TI, o cara já cresce o olho e fala que você tá perdendo tempo, que deveria mandar currículo para todas as vagas que aparecem pois você vai se dar bem. Se tem passaporte europeu então, tá feito na vida! Melhor combinação: TI + passaporte europeu = tá rhyco!

A área de TI é MUITO grande. Tem inúmeras ramificações e profissões voltadas para a área, não significando que TI seja uma profissão. A divergência já começa por aí. Eu trabalho na área de TI; sou Analista de Qualidade de Software ou Quality Assurance Analyst. Não sei programar. Não sei mexer com redes. Sei muito pouco de Banco de Dados. Sei a teoria da Gerência de Projetos. Não dou suporte a hardware/software. Já conseguem exergar onde estou querendo chegar? Trabalhar na área de TI não é uma coisa geral; cada pedacinho tem uma qualificação diferente. Tem gente que conhece mais de 1, tem gente que mal conhece 1…

Agora, vamos ao ponto em que eu discordo da maioria das pessoas: “lá na Irlanda não precisa ter inglês bom pra conseguir um trabalho na área de TI, vai fundo”. Essa é a PIOR coisa que alguém pode dizer. Já recebi emails de pessoas me perguntando “Nadine, eu tenho inglês bem básico, mas tenho passaporte europeu e trabalho com TI; será que eu consigo emprego na área?” e eu respondo “Muito provavelmente não”. E a pessoa acha ruim porque fulano ou ciclano garantiu que a pessoa conseguiria sim, porque a Irlanda tá crescendo na área de tecnologia e bla bla bla bla. Você consegue imaginar um Gerente de Projeto que não consegue se comunicar decentemente ou um Help Desk que não consegue entender o problema do cliente ou que não consegue explicar como resolver o problema?

Gente, o que eu to querendo mostrar para vocês é que vagas existem sim. E muitas. Mas você pode ser o foda da sua área no Brasil. Se você for tentar alguma coisa na Irlanda, sem saber ao minimo de comunicar em inglês – saber pedir um lanche no McDonalds não faz de você um nativo, veja bem -,desculpa mas você será um analfabeto. E isso não é uma ofensa, é apenas um lembrete de que você precisa sim estudar e garantir a sua comunicação antes de começar a pensar em trabalhar na sua área. 

Vamos a um exemplo mais prático ainda. Eu morei 2 anos nos EUA. Fui Au Pair todo esse tempo, fiz cursos de inglês, fiquei craque. Isso há 10 anos atrás. Fui para a Irlanda em 2015 mas completamente insegura do meu inglês. Preferi esquentar um pouco antes de qualquer entrevista, afinal, fazia muito tempo que não usava o que havia aprendido. Não estava estudando, estava apenas fazendo bico de babá, mas usando meu inglês o dia inteiro e todo dia. Depois de um tempo arrumei uma entrevista, na minha área, nada mais nada menos que no Banco Central da Irlanda. Acredito que meu CV tenha chamado atenção, pois tenho bancos e Bolsa de Valores incluidos nele e isso pesa, não pesa? Não considero meu inglês fluente, ainda preciso de muito mais treinamento, mas coloco entre avançado e fluente. Já dei aulas para niveis básicos e uma das minhas alunas, inclusive, tirou um certificado de proeficiencia em ingles. Então, meu ingles não é ruim. Peguei nas mãos de Deus e fui fazer a bendita entrevista… e foi um fiasco! Por conta de tudo: ingles, nervosismo, pressão, afinal, era o Banco Central da Irlanda. Passei vergonha mas foi um tremendo aprendizado: é preciso aprender a andar antes de correr e ainda estava caindo nas tentativas de corrida.

Vamos agora, pegar o exemplo do meu marido. Cidadão português, mais de 10 anos de experiência na área e inglês intermediário. Fez uma entrevista para uma vaga FODA em Tralee, no condado de Kerry. A vaga tinha tudo para ser dele… se não fosse o inglês. Tinha conhecimento, poderia trabalhar mas não conseguia se comunicar da forma que a empresa necessitava.

Existem exceções? Com toda certeza! Já vi muita gente, especialmente programador, que conseguiu trabalho mesmo com um ingles intermediário. Tudo vai depender da vaga, da empresa e de como, lógico, você vai conseguir se vender. A verdade é que é sim possivel conseguir um trabalho na área, mas não é regra. Não vai sair do Brasil achando que você vai ser o fodão por lá por que não é bem assim que a coisa funciona. A área de TI é sim muito grande aqui no Brasil e lá fora, mas você precisa preencher os requisitos e o inglês, lá na Irlanda, é uma obrigação.

STAMP 4 negado – E agora?

Bom, para continuar a saga de posts mega atrasados, tenho que começar do príncipio – o divisor de águas da minha vida na Irlanda.

Como vocês sabem, eu comecei todo o meu processo do STAMP em Julho/2015 – para quem não ainda não viu os vídeos, clique aqui – depois de quase 3 meses na Irlanda. A demora para envio da documentação se deu, lógico, à demora para levantamento da documentação, mas finalmente dia 17 de julho eu consegui enviar toda a papelada e cruzar os dedos. E dentro do prazo dos 3 meses de turista, hein?

Pois bem, depois de 10 semanas de espera, finalmente recebi nossos documentos de volta (na época ainda tinhamos que enviar os originais) e o visto provisório. Prontamente fui até a imigração, fiz tudo que tinha para fazer e duas semanas depois estava com meu GNIB provisório. Linda história, não?

Vamos ao outro lado… quando recebi a documentação de volta, veio também uma carta informando que a decisão final do meu processo seria enviada até dia 19 de janeiro, enquanto meu visto provisório estaria válido até dia 20 de fevereiro. Ótimo para mim! Perfeito, não? Seria tudo perfeito se a imigração trabalhasse do jeito que se deve… Baseamos o visto no curso do meu marido – antes que alguém diga alguma coisa, perfeitamente possivel e aceitável – com duração de 6 meses (Julho a Dezembro) o que caberia certinho dentro do prazo estipulado pela imigração. Meu marido tentou mas não conseguiu emprego nesse meio tempo, infelizmente, então focou nos estudos e trabalhos voluntários.

Chegou Janeiro, passou Janeiro e nada da imigração. Chegou Fevereiro, passou Fevereiro e nada da imigração. Com contatos apenas por email, eu era informada de que estavam com muitos processo e alguns atrasos seriam inevitáveis – para ferver mais ainda meu sangue que já estava fervido. Pois bem, meu visto provisório venceu e nada da imigração. Desencanei e entreguei nas mãos do Universo, afinal o que quer que fosse, já tinha sido PROFUNDO!

Final de março, comecinho de abril vem a bomba: SRA. NADINE, SEU VISTO FOI NEGADO. Mas porque raios? Essa pergunta eu me faço até hoje… quando meu marido terminou o curso, mandei o certificado de conclusão para eles, assim como pedem para atualizar toda e qualquer mudança no status do EU Citzen. E assim fiz. Não sei se foi um erro ou não e meu marido, ainda, não tinha arrumado um trabalho. Via gente na mesma situação ou até pior recebendo felizes suas cartas e eu com aquela maledita negativa. Querem saber o motivo da negativa? “A quick call to the school showed us that Diego finished his course a while ago” E mais nada. Simplesmente desacreditei. Ali meu chão se abria, meu sonho ia pro ralo, tudo aquilo pelo qual lutei terminava ali [drama mode on].

Eu fico até tensa de falar sobre o assunto tamanha a raiva que sinto de toda essa situação. Em contato novamente com a imigração, tentando buscar mais explicações, a minha raiva só aumentava pois não havia qualquer outro motivo. Que falassem que não tínhamos dinheiro, ou que não fossemos capazes de nos sustentar ou mesmo que meu marido não tinha emprego e isso era inaceitável… qualquer coisa menos insinuar que o curso não era valido – sendo que na mesma época um casal conhecido aplicou com os mesmos parametros e até menos dinheiro na conta e conseguiu e ainda, antes de aplicar, falei com a imigração para garantir que era possivel. Ainda não consigo entender o real motivo que os levaram a negar o meu visto. No entanto, eu acredito que se o processo de apuração desses documentos tivesse sido feito de forma mais eficaz, esse post não existiria hoje.

“Mas Nadine, mas não dá pra recorrer?” Sim, é perfeitamente possivel recorrer. Mas o prazo minimo que me passaram para retorno era de 6 meses. 6 MESES! Eu já estava há quase 1 ano na espera, dinheiro acabando, não podendo trabalhar (fora as duas oportunidades de trabalho otimas que perdi por conta disso, já aprovada em entrevista) e ainda esperar mais 6 meses? Não tinha nem tesão de continuar – mas saibam que é possivel.

Agora, depois de tudo amenizado, eu consigo enxergar alguns erros que poderiam ter feito a diferença: se eu tivesse procurado um trabalho logo que recebi o visto, a coisa poderia ser diferente. Como já teria PPS, já estaria contribuindo com as taxas e tudo mais, no final das contas o resultado poderia ser outro. Mas fizemos outros planos crentes que no final tudo daria certo. Hoje, certamente, faria diferente.

Com relação a vocês que seguem, seguiram e ainda vão seguir as dicas dos vídeos: vão sem medo! Tudo o que foi falado lá são dicas e experiencias e segue quem achar que deve. O nosso caso, eu quero acreditar, foi atípico. Ou, como eu acredito: não era pra ser. Tenho muito isso comigo pois depois de tudo o que fizemos, todo os esforços, dinheiro gasto e ter esse retorno: só posso mesmo acreditar que meu lugar não era na Irlanda, infelizmente. 

Como eu falei no post anterior: o BLOG CONTINUA! E assim como o auxilio que sempre dei a vocês que querem ir para Irlanda e tirar o STAMP 4. As leis mudam a todo instante e, como já faz 1 ano que apliquei, vou me atualizar ao máximo para continuar podendo trazer a vocês informações corretas e uteis e torcer por cada um de vocês que vai tentar a sorte na Ilha (e que seguem nossas dicas!)

À vocês que sempre nos acompanham, muito obrigada! Continuem!!!!!!!!!!!!!!!! O nosso lugar mudou, mas a vontade de conhecer o mundo e compartilhar cada coisa com vocês não muda nunca!

Qual a melhor época para chegar em Cork?

Eu sei que estou em débito com vocês – alguns probleminhas técnicos por aqui e novidades em breve – mas não esqueci de vocês não, meu povo!!!!!! Continuem acompanhando, comentando e compartilhando que a gente gosta, tá?

O clima da Irlanda é um saco. Mas é um Saco, com S maiúsculo. Não, minto! É um SACO com todas as letrar maiúsculas. O incrível que já sabíamos disso antes mesmo de vir, mas mesmo assim, escolhemos essa ilha como nosso destino, totalmente conscientes. Mas olha, mesmo com toda essa consciência, eu vou ser sincera: você até se acostuma, se conforma digamos assim, mas aceitar? JAMAIS!

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Quando viemos eu não tinha noção mas hoje, depois de quase 1 ano de Irlanda, posso falar que escolher bem a época da sua chegada minimiza – e muito – a dores da adaptação a esse clima doido desse lugar.

Vamos começar com as estações: elas são opostas ao período no Brasil, ou seja, o inverno aqui é o verão no Brasil e assim vai.

Primavera – Fevereiro, Março e Abril
Verão – Maio, Junho e Julho
Outono – Agosto, Setembro e Outubro
Inverno – Novembro, Dezembro e Janeiro

Nós chegamos no comecinho de maio e, para nós, foi a melhor época para chegar. O fato é que: não importa a época do ano, você vai passar frio. Não tem escolha. Mas tem como passar mais frio ou menos frio. Esse é o X da questão. Chegando em Maio, pegamos um friozinho de transição primavera/verão. Usávamos casacos mais pesados e botas e estávamos felizes e quentinhos. A chuva não era tão constante e, quando acontecia, era geralmente no fim da tarde/noite. A temperatura foi aumentando gradativamente a medida que o verão ia ganhando espaço, porém, os dias quentes mesmo acontecem em um período bem curto então é bom aproveitar ao máximo. Embora a chuva seja uma companheira constante nessa época, ela é curtíssima e não impede a vida na Ilha ou seja, não tem muito com o que se preocupar – é bom que já vai acostumando com a presença da querida #sqn.

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Outra coisa importante é: os dias são super longos nessa época. 5 da manhã já tem um puta sol na cara – cortinas escuras são obrigação nos quartos – e se estende até 10 da noite. É nessa época que você vai aproveitar para passear e curtir o que a cidade tem de melhor a oferecer. É muito estranho, mas você acostuma – e depois de alguns meses já tem que aceitar a drástica mudança de 4 da tarde já estar a noite. É vida loka, mano!

Outono e inverno são os piores meses – é chuva dia e noite, noite e dia, frio, ventos, dias nublados, falta de sol e vitamina D, depressão total. E não é exagero – se você chegar nessa época, a depressão vai bater a porta e os riscos de ODIAR a Irlanda logo de cara são enormes. É mais fácil amar primeiro e depois ter a DR e saber que tudo passa – ou não, afinal já estamos no meio de Abril e a primavera não deu sinal de começar! 1 dia bom e 3 dias ruins e por aí vai.

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Mas nem tudo é ruim. Na época de verão é possível ver muito sol e céu azul, sair com uma blusinha leve e se você for corajoso, até arriscar uma bermudinha básica, mas como disse ali em cima, o período é curto mas é bem enjoyable. Muitas fotos lindas, com cores intensas, e cabelos ao vento porque esse, meu amigo, nunca te abandona!

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Contudo, a conclusão que chegamos depois desse primeiro ano é que: a melhor época para chegar na Ilha é no verão. Você aproveita logo de cara, se apaixona pelo lugar, tem tempo para se acostumar com as mudanças climáticas gradativamente e consegue conhecer a cidade, os pontos importantes e necessário sem ter que se preocupar se está chovendo.

Uma dica: o guarda-chuva NÃO é seu amigo na Ilha.

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O dia em que furou o pneu…

Em uma quarta feira linda e ensolarada na estrada, saímos cedo de Cork com destino a Dublin. Pegamos o carro que reservamos na Europcar logo cedo – se você não sabe como alugar um carro por aqui veja esse post – e partimos em direção a estrada. Diego estava tranquilo e eu… eu estava sonhando com a coxinha que ia comer mais tarde. Uai, quem nunca?

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Curtimos a tarde em Dublin, fizemos o que tínhamos para fazer, resolvemos os pepinos e fomos em direção a Dun Laoghaire visitar nossos queridos amigos Lica e Rod. A cidade é linda, diga-se de passagem e curtimos muito o final do dia e, infelizmente, era hora de pegar a estrada novamente, mas dessa vez com destino a Cork: de volta pra casa.

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Estávamos cansados e já estava escuro. Como o caminho de ida para Dublin foi um tiro só, o caminho de volta seria o mesmo. Então com medo de acabar a bateria do cel e ficar sem GPS, decidi desligar o GPS por um tempo. Já tínhamos ideia de que horas chegaríamos, víamos placas de Cork a todo momento: estávamos no caminho certo.

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A noite estava LINDA: céu estrelado e aberto, lua cheia, clima ameno. Nada melhor do que isso para curtir a estrada. Pois bem, tudo indo conforme o esperado até que… duas horas de viagem e Diego comenta que provavelmente já estávamos chegando. Eu concordo e a vida segue. No próximo segundo vejo o pesadelo: uma placa de WELCOME TO LIMERICK. WTF????? Limerick? Àquela altura do campeonato já era para estarmos virando a esquina de casa. O que deu errado?

Sem muito tempo e paciência para pensar, já acionei o GPS e encontrei uma rota mais rápida para voltar para casa, porém nunca imaginei que o tipo de estrada que pegaríamos. Dica: não tente uma rota mais rápida por aqui, a noite. Permaneça na estrada principal nem que demore o dobro do tempo. 

Diego confiou e fomos pelo caminho “mais rápido”. Cada fim de mundo que só por Deus. Estradas MUITO estreitas, escuras, sem ninguém, sem civilização, sem nada. Tensão subindo, olhos esbugalhados e grudados do vidro, tentando prestar atenção em tudo. Mas ainda assim não foi suficiente para conseguirmos desviar de um buraco na pista precária e Diego deu na hora deu a dica: pneu furou. Por sorte conseguimos parar em frente uma casa que tinha um pouco de luz externa.

Descemos do carro já no desespero e Diego já xingando todos os cantos e eu só pensando que eu queria minha cama. Lá vamos nós vai o Diego fazer todo o processo de troca, morrendo de frio e comigo segurando a lanterna do celular para ajudar. Com a graça dos céus, o dono da casa tinha acabado de chegar em casa e viu nosso desespero e veio ajudar – um amor, como a maioria dos irlandeses. Em menos de 20 minutos já estávamos de volta à estrada e com atenção mais do que redobrada.

Dessa vez – primeira vez na verdade – que não pegamos o seguro completo da locadora de carro ou seja, o pesadelo estava apenas começando. Conseguimos chegar em casa e decidimos descansar e tentar não pensar nisso até o outro dia.

O que fazer quando acontece um incidente como esse com um carro alugado? Pois é, nós também ficamos sem ação. Decidimos, então, ir até a Europcar e explicar o acontecido e ver se eles conseguiam nos dar uma luz. E quer saber? Foi a melhor coisa que fizemos! Eles foram super prestativos e nos indicaram um lugar para trocar o pneu. Como nosso seguro era o basic, teríamos que bancar o ocorrido e estávamos preparados para a facada. Pegamos na mão de Deus e fomos para o lugar indicado.

Chegando lá, tudo muito rápido. 30 minutos e já estávamos indo embora, com pneu trocado, roda alinhada e 80 euros a menos na conta. Olha, esperávamos pagar uns 150 euros ou até mais para resolver isso, mas ficamos feliz com o final da história. Mesmo com os 80 euros gastos, ainda foi menos do que pegar o seguro completo – alugamos o carro para 5 dias e o full era 20 euros a mais por dia, ou seja, acho que saímos “no lucro”. Devolvemos o carro numa boa, a garantia do cartão do Diego foi devolvida integralmente e a vida seguiu.

Nunca tinha acontecido nada parecido com a gente e apesar de toda a tensão, foi uma puta lição aprendida.

Alguém já passou por algo parecido? Como ficaram no final?