REMATCH: quando a Au Pair ou a Host Family decidem que o match não está sendo do agrado de ambos, por n motivos, e concluem que o rematch, ou seja, a troca de au pair/familia, seja a melhor solução para os dois lados.

Como muitos aqui sabem, eu já fui Au Pair nos EUA por dois anos e foi meu primeiro intercâmbio, lá atrás quando eu tinha meus saudosos 19 aninhos. E, para quem conhece o programa de Au Pair, sabe que a palavra rematch tem um efeito assustador para quem está começando mas nunca passa pela cabeça de quem embarca nessa aventura de passar por isso. Nunca passou pela minha…

Para resumir o inicio do meu processo, senti uma afinidade muito grande só de ler o perfil dessa família e me apaixonei pelas crianças ao vê-las nas fotos. Na época, dois meninos de 2 anos e meio e outro que teria 3 meses quando eu chegasse. Era uma família que morava na Virginia, na pequenina cidade de Bristow, 40 minutos de DC.

A chegada foi simples mas foi super comemorada. Só a host mom e o bebezinho me esperaram no ponto de encontro e logo em seguida fomos encontrar o host dad e o menino mais velho no shopping para comer uma pizza e me darem as boas vindas.

CHEGANDO NA CASA

Quando chegamos na casa eu fiquei pasma com o tamanho do lugar e a beleza. Pra mim era uma mansão. 5 quartos, uma master suíte mais 3 banheiros na casa, 3 salas (pra que tudo isso?), uma cozinha de filme e um quintal pra pessoa nenhuma botar defeito. (colocaria fotos aqui mas, meu HD queimou com TODAS as fotos do meu intercambio e eu ainda estou na tarefa de recuperá-las).

O meu quarto era no andar da família, tinha o meu próprio banheiro. Quarto era simples, tinha uma comoda com TV e telefone, cama super confortável e um pequeno closet, que eu não demorei muito para me fazer sentir em casa. Como já era noite e eu estava exausta, fui dormir logo e tive uma sono de princesa para acordar no outro dia e começar meu primeiro final de semana na “América”.

COMEÇANDO A ROTINA

Depois de um primeiro final de semana maravilhoso, chegou o primeiro dia de trabalho. Não foi nada fácil. A host mom trabalhava em casa, no andar de cima e o menino, obviamente, sabia disso e não dava sossego para ela. Logo no primeiro dia ela já se enfureceu pelo fato de eu não conseguir segurar o menino na parte de baixo da casa, nem sair com ele eu conseguia. Ele não me ouvia, não obedecia e só queria a mãe. E, é lógico que isso ia acontecer: era meu primeiro dia de fato com ele. O bebê era o menor dos meus problemas, o bonitinho só dormia e deixa minha vida um pouquinho mais fácil.

Aqui já deixo uma dica: ser Au Pair de família onde os pais trabalham em casa não é o fim do mundo, mas não é NADA fácil. Você tem que ter um jogo de cintura e ser muito carismática e criativa para conseguir segurar a atenção da criança e fazer ela se interessar por você e pelo que você está propondo. Ah, e tem que ter muitas ideias, pois eles enjoam muito rápido de uma brincadeira.

COMEÇANDO O PERIGO

O menino mais velho era muito mimado e depois de duas semanas, ainda, só queria saber da mãe que estava no andar de cima. Ele não me obedecia POR NADA NESSE MUNDO! Eu percebia a cara de desprezo que a host mom fazia para mim cada vez que eu tinha que buscar ele no quarto dela e isso me dava um embrulho no estomago. Eu sempre fui muito apegada ao fato das pessoas gostarem de mim e do que estou fazendo então me cobrava muito e receber aquele olhar de desprezo simplesmente me destruía!

Ao passar dos dias ela ia falando menos comigo, sem paciência as vezes e eu fui me sentindo cada vez menor diante da situação. Graças a Deus fiz uma amiga russa, que cuidava de uma menina da mesma idade do meu mais velho e finalmente conseguia fazer playdates mas ainda não era o suficiente.

Até que um dia chego e em casa e encontro a minha LCC sentada na sala.

VOCÊ ESTÁ DE REMATCH

Essas palavras entraram nos meus ouvidos como finas espadas atravessando meu corpo e eu só queria sair correndo. A host mom alegou que eu não estava conseguindo dar conta de entreter o menino e ela precisava de alguém que realmente conseguisse fazer ele esquecer que ela estava lá. Confirmei que não estava sendo fácil mas eu estava dando o melhor de mim e ainda me adaptando ao ambiente, mas se era isso que a família queria, eu não iria me opor.

Os hosts falaram que gostavam muito de mim mas que para esse momento, não era o que eles queriam mas que com certeza dariam boas referencias e me manteriam na casa até que achasse uma família. E assim se seguiu.

A PRIMEIRA SEMANA EM REMATCH

Os primeiros dias foram bem difíceis de aceitar a situação mas eu consegui seguir sem me deixar abater e transparecer no trabalho. Eu já havia me apaixonado pelos pentelhinhos e a visão de não ter mais eles por perto me machucava então decidi fazer o melhor daqueles dias para ter boas lembranças e estórias para contar.

O que eu realmente não contava é que aquela primeira semana em rematch seria  A MELHOR SEMANA do meu primeiro ano de au pair. Eu simplesmente caí nas graças do menino a ponto de ele chorar quando o meu trabalho acabava e a mãe dele aparecia. Conseguia brincar, sair, jogar bola e fazer inúmeras atividades por que ele simplesmente decidiu que iria gostar de mim e aceitar minhas brincadeiras.

Isso sem falar no meu relacionamento com os hosts. Eu não sei explicar o que aconteceu mas aquela semana foi mágica. Nós conversávamos bastante, houve uma interação muito grande entre a família toda, eu inclusive e eu já me pegava chorosa de pensar em deixar eles.

ATÉ QUE UM DIA….

Ao fim da primeira semana, a host mom me chamou para conversar e havia falado inclusive com a LCC sobre reverter a decisão do rematch. Falou que aquela semana tinha sido fantástica e ela tinha adquirido uma confiança muito grande em mim e no meu trabalho e não poderia deixar isso passar e perguntou se eu queria continuar com eles.

E, logicamente, eu disse sim. Eu estava me sentindo muito bem e confiante em permanecer ali e era o que eu mais queria. Sonhava com esse momento naquela semana mas imaginava que nunca ia acontecer.

NUNCA IMAGINE QUE NÃO PODE ACONTECER

Eu sei que cada experiência é unica e intransferível, o que acontece comigo não vai acontecer com você e vice versa. Mas, uma coisa é fato em todos os casos: nunca imagine que não pode acontecer, esteja preparado para tudo.

Fotos: Freepik

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